Eles

null
Foto: LSC

Retomando o gosto pela leitura.
O texto abaixo é do livro "Um cavalo no cemitério de Deus" do Jorge Cardoso.

...
Sentado diante do computador, o editor de textos cheio, salvando como de costume – comendo batatas. De repente uma onda de calor sobe pelo pescoço. Consigo retirar o celular do bolso, mãos transformando-se em garras, e discar 112. Com a força que me resta ponho para baixo do tapete o quadro de Adolf Hitler. Não queria que aquele que fosse me ajudar se sentisse ultrajado. Carregaram o corpo e eu fiquei. Me levantei do chão e o clichê confere: estava desencarnando. Sem luz, nem tubos de luz, nem nada. Ainda vestido, tudo igual como antes, só que não conseguia mais interagir com aquilo que a física chama de matéria orgânica com quadrados cúbicos perpendiculares no cateto da hipotenusa. E também não consegui encaixar esta frase: “Mais feio do que um casal de velhos se beijando”. Como fantasma, descobri que o que me matou foi o zinco da batata e também poderia falar qualquer merda. Ninguém escutaria.
...
Confesso que neste processo fiquei meio confuso. Tive pena do meu filho que chorou quando entrou na casa, e me surpreendi que depois de uma semana estava jogando futebol com o padrasto na rua aqui em frente, os via pela janela. Achando aquilo tudo tão entediante quanto estar às vezes vivo resolvi sair de casa. Abri a porta. Entrei e estava em casa outra vez. Abri a porta, dei dois passos e estava no corredor de casa outra vez. Não podia sair dali e não existia nenhuma força superior que me explicasse o porquê desta prisão.
...
Fiquei, as minhas pernas atravessavam paredes. Não mijei uma única vez. Barulho de chaves, a trinca se abre. Uns homens de macacões levaram o computador, jogaram os meus livros dentro de uma caixa, começaram a arrastar uns móveis, e só corri atravessando um dos gorduchos quando, por puro instinto, o rapaz começou a enrolar o tapete.
...
- Filho da puta, olha só isso aqui! – ele mostrava para um outro carregador o quadrinho do Adolf Hitler.
...
Porra, que vergonha.
...
Quando o meu último pertence foi retirado fiquei duas semanas em uma casa vazia. Aproveitei para dormir o que não tinha dormido em vida. Depois de duas semanas a porta se abre. Barulho. Primeiro surgem mais dois carregadores – desta vez magros, com a mesma roupa suja, depois um homem carregando caixas de papelão, e uma mulher muito bonita segurando um cachorro pela coleira que rosnava na minha direção.
...
- Gostou? – pergunta o homem.
- Eu gostei da sala, mas ai, sinto uns arrepios – as mulheres são realmente mais sensíveis.
- Deve ser o radiador, amanhã peço para o síndico ver a temperatura do apartamento.
...
Podem me chamar de babaca, mas o pior de se tornar um fantasma não é perder a capacidade de tocar ou sentir o mundo outra vez. O pior não é poder mais ler nem escrever, e tampouco escolher os livros que queres ler, nem a comida favorita. O pior é estar ali na sala e não poder controlar os canais da televisão! Não poder nunca mais escolher o programa ou o silêncio saídos do tubo de imagem. Nem o volume. Nem ficar vendo as barras coloridas na vertical para o ajuste eterno de cores. Eu agoniei.
...
Depois de um tempo, coisa de vinte minutos, o casal começou a trepar. Tapei os ouvidos. Desta vez senti uns arrepios e logo em seguida a mesma queimação subindo pelo meu pescoço. Teto. Cai o pano. 9 meses. Tudo negro. Acordo em um túnel, me puxam, que gosto provado...e a primeira coisa que eu escutei antes de esquecer isso tudo foi:
...
“Que bebezinho gordinho!”
...
Voltei no colo da mulher bonita e do homem que controla a TV para a mesma casa. Eles, agora, meus pais.
Nunca mais vou querer morrer outra vez.


 

80º aniversário de Ernesto Che Guevara

null
Foto: LSC - Praça da Revolução - Havana

Hoje, 14 de junho, Ernesto Che Guevara completaria 80 anos se estivesse vivo.
A data será festejada com diversas atividades, em vários países, principalmente em Cuba e na Argentina.


Foto: LSC - Mensagem nas ruas de Havana

Um site foi criado para a ocasião e reúne fotografias, manuscritos e depoimentos a respeito do líder revolucionário. http://www.che80.co.cu/che.html



Foto: LSC - Museu da Revolução - Havana


Consternados, Rabiosos
Vámonos derrotando afrentas

Ernesto «Che» Guevara Así estamos

consternados
rabiosos
aunque esta muerte sea
uno de los absurdos previsibles

da vergüenza mirar
los cuadros
los sillones
las alfombras
sacar una botella del refrigerador
teclear las tres letras mundiales
de tu nombre
en la rígida máquina
que nunca
nunca estuvo
con la cinta tan pálida

vergüenza tener frío
y arrimarse a la estufa
como siempre
tener hambre y comer
esa cosa tan simple
abrir el tocadiscos y
escuchar en silencio
sobre todo si es
un cuarteto de Mozart

da vergüenza el confort
y el asma da vergüenza
cuando tú comandante
estás cayendo
ametrallado
fabuloso
nítido
eres nuestra conciencia acribillada
dicen que te quemaron
con qué fuego
van a quemar las buenas
las buenas nuevas
la irascible ternura
que trajiste y llevaste
con tu tos
con tu barro

dicen que incineraron
toda tu vocación
menos un dedo

basta para mostrarnos el camino
para acusar al monstruo y sus tizones
para apretar de nuevo los gatillos

así estamos
consternados
rabiosos
claro que con el tiempo la plomiza
consternación
se nos irá pasando
la rabia quedará
se hará más limpia

estás muerto
estás vivo
estás cayendo
estás nube
estás lluvia
estás estrella

donde estés
si es que estás
si estás llegando

aprovecha por fin
a respirar tranquilo
a llenarte de cielo los pulmones

donde estés
si es que estás
si estás llegando
será una pena que no exista Dios

pero habrá otros
claro que habrá otros
dignos de recibirte Comandante.

(Mario Benedetti)


Foto: LSC - Praça Tribuna Anti-imperialista José Martí - Havana


 

E O FILO CONTINUA...

O Natimorto

Quando assisti o Filme “O cheiro do ralo” fiquei tentando imaginar quem poderia escrever um texto como aquele.
Fui atrás e descobri Lourenço Mutarelli, que reencontrei na peça O Natimorto - que assisti ontem no Teatro Filo, antigo cinema Vila Rica/Londrina - adaptada por Mário Bortolotto. O que vi foi um espetáculo com atores, cenário, trilha sonora impecáveis. Achei o texto melhor que O Cheiro – mais mordaz, com diálogos mais enxutos e piadas ácidas que nos fazem rir com certo temor.
A solidão do Agente que não age, frente a uma esposa adúltera quase assassina, em suma uma megera que também é hilária, penetra na pele como um suor frio em tempos de febre.
A Voz é ao mesmo tempo aproveitadora e vítima da solidão do Agente.
A forma como o Agente interpreta como será o seu dia a dia através das fotos nos maços de cigarros relacionando com as cartas do tarô é apavorante/hilariante.
Fica a pergunta: Como iremos conseguir fumar sem olhar o maço e tentar fazer uma interpretação através de cada foto?

***********
Ouvi dizer que o texto “O Natimorto” vai ser adaptado para o cinema, e que o Lourenço Mutarelli fará o papel do Agente
Vamos aguardar.

***********


null


E hoje tem “Chapa Quente”
Serviço:
Espetáculo: Chapa Quente
Companhia: Cemitério de Automóveis
Cidade: São Paulo (SP)
Direção: Mário Bortolotto
Dias: 10 de junho
Horário: 20h30
Local: Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85)
Classificação: Teatro adulto – ficção/história em quadrinhos
Faixa Etária: 16 anos
Duração: 60 minutos


 

E FOI ASSIM...

null
(foto: http://atirenodramaturgo.zip.net/)

Sair de casa para mim é muitas vezes um problema. Começo a ler ouvindo um som e bate aquela preguiça. Se um amigo liga, acabo me animando. Ontem foi o contrário. Eu a procura de um amigo para me fazer companhia no show Saco de Ratos Blues no Cemitério.
Putz... ninguém a fim e eu na maior fissura.
Bem, acho que sou boa companhia para mim mesma e lá fui eu.
Chegar a um lugar que a maioria são homens é meio bravo, mas fazer o que né? Encostei no balcão, pedi uma cerveja e fiquei analisando as pessoas que estavam no bar, para variar vi as mesmas fisionomias de sempre. Melhor assim, não me senti tão sozinha.
O show demorou para começar, mais quando começou valeu cada minuto de espera.
A banda é ótima e não dá para acreditar que estavam desfalcados do guitarrista titular que é o Fábio Brum, pois o Marcelo Watanabe arrebentou nos solos.
Mesmo estando perto das caixas de som não me senti incomodada, ao contrário, a música entrou com mais vigor em minhas veias me fazendo viajar nos sons e até arrisquei dançar encostada na parede sem sentir meu joelho machucado.
A performance do Mário é incrível. O cara é super tosco, mas é sexy. Tá super charmoso com os cabelos mais escuro – se bem que gosto do grisalho original. Musicalmente falando ele grita um pouco, mais esse toque faz do show algo mais humano combinado com as letras num casamento perfeito! E o cara bebe o tempo todo, intercalando goles de água mineral com uísque.
Ele demonstra certa felicidade – felicidade?- que transparece nos sorrisos discretos que surgem em seus lábios quando seus amigos participam do show de uma forma descontraída.
E assim termina.
Que pena! Ouvira os caras pela noite afora sem nem mesmo sentir o joelho machucado!
Encostei no balcão para uma última cerveja e fiquei observando-o de longe, até pensei em chegar até ele para cumprimentá-lo, mas bateu uma timidez, afinal ele é o Cara!
E fui embora embalada pelos sons que permaneceram ecoando em minha cabeça!
Esperando com ansiedade as apresentações dos espetáculos “O Natimorto” e “Chapa Quente”.


 

SACO DE RATOS BLUES

null




Preciso escrever sobre minha viagem frustrada ao complexo Marumbi, mais ando tão sem ânimo...


 

Pé na estrada - Marumbi

null
Foto:LSC

Faz um ano que estive no pico Marumbi com as amigas Andréa, Kátia e Cacau.
Foi uma bela viagem! Consolidação de uma grande amizade!
Superar obstáculos com a ajuda de amigos fortalece o vínculo, essa dependência cria laços de confiança.
E nesse próximo feriado iremos novamente para o Marumbi, agora com outros percursos para aproveitar bem os dias de folga. Começando na quinta-feira com uma escalada no Anhangava, na sexta-feira uma travessia pela histórica trilha de Itupava e culminando com a chegada no complexo do Marumbi!
Dessa vez não vamos contar com a presença da Andréa, que com certeza será muito sentida, com seu espírito alegre e sua cantoria no carro, dá-lhe Lenine!
E claro, pela comida que ela preparava para nos esperar, pois como ela não sobe montanhas ficava no camping nos esperando com aquela comidinha quente muito bem vinda no clima frio da região.
Dormir embalada pelo som ritmado do trem, que a cada trinta minutos passa cortando a densa neblina, é uma experiência inusitada.
Foi uma viagem maravilhosa, tirando os joelhos roxos e as unhas quebradas empecilhos superados pela felicidade de chegar ao pico e ver descortinar a nossa frente aquele visual espetacular, com o trem passando lá longe como uma cobra se arrastando pelo trilho!

null
Foto:LSC



null
Foto:LSC

O ano passado fechamos a viagem com chave de ouro, comendo um barreado em Morretes e retornando pela Estrada da Graciosa.
Agora é checar os equipamentos: mochila, barraca, lanterna, isolante, saco de dormir... Preparar o espírito para superar obstáculos e principalmente superar os limites do corpo/mente e botar o pé na estrada!


null
Foto:LSC




 

Coyotes no Cemitério

Hoje, a partir das 22 horas, tem lançamento da Revista Coyoto na Vila Cultural Cemitério de Automóveis. Serão lançadas as edições 16 e 17 da revista. Entrada franca. A revista custa R$5,00.
O Cemitério de Automóveis fica na Rua João Pessoa, 103.
A noite Coyote vai ter música e poesia. Rodrigo Garcia Lopes, Karen Debértolis, Maurício Arruda Mendonça, Márcio Américo estarão lendo textos das duas edições.

null

16 VEZES COYOTE

A 16a edição da revista de literatura e artes traz ensaio fotográfico de Boris Kossoy, traduções de Alejandra Pizarnik (Argentina) e Robert Melançon (Canadá), dossiê com o cartunista Marcatti, antologia de poemas de Marcos Prado, contos de Nelson de Oliveira e Miguel Sanches Neto, além de poemas de Nelson Sato



null

Coyote espreita Codrescu, Bolaño & cia em novo número




Entre os destaques da revista de literatura e artes estão dossiê com o escritor, poeta e ensaísta Andrei Codrescu (Romênia, 1946), poemas do chileno Roberto Bolaño, mais conhecido como prosador, a poesia de Fernando Karl e Veludo Negro, uma mini-antologia com seis jovens poetas brasileiras. Também traz o desenho de Carlos Carah, traduções de Gertrude Stein e as prosas à margem de Ricardo Carlaccio e Rubens K , entre outros



Vendas em livrarias de todo o país ou pelo site: www.iluminuras.com.br

email: revistacoyote@uol.com.br e rgarcialopes@gmail.com Fone: (43) 3334-3299 – Londrina.: revistacote@uol.com.br

PATROCÍNIO: PROMIC - PROGRAMA MUNICIPAL DE INCENTIVO A CULTURA – SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA – PREFEITURA MUNICIPAL DE LONDRINA(PR)


 

Mundo sujo

null


 

Prisão da mente

null
Foto: LSC

No eterno ir e vir
Perco-me em suas palavras
Viajo imaginando a tonalidade da sua voz
Mil imagens do seu sorriso iluminam
Minha mente
Promessas não cumpridas
Afetam-me até os ossos
E a conversa se perde nos fios invisíveis da internet


 

DIA DO TRABALHADOR?

null
Foto:LSC

Os trabalhadores tem o que comemorar?


Se os Tubarões Fossem Homens
(Bertold Brecht)

Se os tubarões fossem homens, eles seriam mais gentís com os peixes pequenos. Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais. Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada e adotariam todas as providências sanitárias cabíveis se por exemplo um peixinho ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim de que não moressem antes do tempo. Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres tem gosto melhor que os tristonhos.
Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a guela dos tubarões. Eles aprenderiam, por exemplo a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí. Aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos. Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos. Se encucaria nos peixinhos que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência. Antes de tudo os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista. E denunciaria imediatamente os tubarões se qualquer deles manifestasse essas inclinações.
Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre si a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros.As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que, entre os peixinhos e outros tubarões existem gigantescas diferenças. Eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que entendam um ao outro. Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos da outra língua silenciosos, seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói.
Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles naturalmente também uma arte, haveria belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas cores e suas guelas seriam representadas como inocentes parques de recreio, nas quais se poderia brincar magnificamente. Os teatros do fundo do mar mostrariam como os valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as guelas dos tubarões.A música seria tão bela, tão bela, que os peixinhos sob seus acordes e a orquestra na frente, entrariam em massa para as guelas dos tubarões sonhadores e possuídos pelos mais agradáveis pensamentos. Também haveria uma religião ali.
Se os tubarões fossem homens, eles ensinariam essa religião. E só na barriga dos tubarões é que começaria verdadeiramente a vida. Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros. Os que fossem um pouquinho maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões, pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar. E os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos para que estes chegassem a ser, professores, oficiais, engenheiros da construção de caixas e assim por diante. Curto e grosso, só então haveria civilização no mar, se os tubarões fossem homens.



 

c a n s a d a

null
Foto:LSC


Ando cansada
das mesmas caras
sorrisos
dilemas
piadas
resmungos
do mundo
ando cansada
Ponto



Pronta para cair na estrada. Contagem regressiva! Hasta hermanos!


 

THOTH

null


Os ruídos fazem sexo com as coisas superiores do Imenso, Sodium, silêncios reduzindo ruídos a seu nexo, nenhum. O Imenso que se vire com seu Kamasutra, seu Wittgenstein, seu walkman que detona todas nas festas de Thot. Quase imensa, ruína Angkor florindo Vietnans, o mar armadilha cicatrizes, e a pele é um bilhete de faraó.

O rio tremia na membrana, na mente do brâmane, na escama da penumbra, na pompa da alma: um gelo; uma prise revela vales espessos - aromas de morte: cristais... A vida se exila aqui, líquida... E quanto ao conteúdo, diríamos, trata-se de um processo alquímico incessante como o som que sopra dos rios ou chuva de meteoros no lago, a sombra de Iago, e essa noite animal.

Centelhas do invisível, farpas de Osíris, o silêncio desnudando o segredo de pétalas secas; o paradoxo da chuva processando seus metais. Tudo se faz luz quando a luz se liquefaz em som, chuva fora de estação. Sinais. Serpes espiralam em sua pele, deixando ali sua dupla exposição, na transferência de ruínas que o olho reúne, e arruína. Dopado pelo ópio do carinho, com a distância tênue de um doutor fora de posição, ele navalhava o pensamento egípcio, preciso, de um sonho total. Apoteose de risos, rios de Osíris, Sol: joías nos crânios e ossos que descem o Nilo. Como aquilo virou isso? Eles, modernos, que mordam a carne bizarra e abocanhem sua módica ração, seu Estúdio Realidade.


Para ouvir
"THOTH": de Rodrigo Garcia Lopes: concepção, voz, vocalize, sampler, sopro e efeitos.
Gravação e mixagem: Maurício Grassman.

Leia mais »



 

Teatro em Cena

null
Foto: Gilberto Abelha

Se alguém estiver "passeando" pela UEL, sinta-se convidado a visitar a exposição, as fotos são lindas. E aproveitem para tomar um cafezinho comigo!

CDPH recebe Mostra Filo 2006-2007


O Centro de Documentação e Pesquisa Histórica da UEL (CDPH) promove até o dia 30 a exposição Teatro em Cena – FILO 2006-2007, do fotógrafo Saulo Haruo Ohara.

Quando completa 40 anos, o Festival Internacional de Londrina é encenado nesta mostra fotográfica, remontada agora no CDPH.

São 20 imagens que trazem uma dupla tradução: não são apenas cenas teatrais que se fazem revelar pelas imagens, mas teatro que, capturado pela lente fotográfica, não se deixa acabar no palco.

São instantâneos, flashes deste universo teatral que o festival vem ajudando a expandir ao longo destas décadas. Em cena, imagens de peças como Amores Surdos, El Solitário de Pessoa, La Mirada del Avestruz, O Púcaro Búlgaro, Antígona, Ha! Hamlet, Toda Nudez Será Castigada e outras.

Saulo Haruo Ohara é fotógrafo independente, com trabalhos para o Festival Internacional de Teatro e o Festival de Música de Londrina. Fez também o still do filme Gaijin II, ganhador do Festival de Gramado de 2005. É neto do fotógrafo Haruo Ohara, para o qual produziu o livro Lavrador de Imagens.

A mostra pode ser visitada no CDPH, de segunda a sexta-feira, das 8 às 11h30 e das 13h30 às 22 horas. Informações 3371-4824 e 3371-4568.


 

mudanças???

null

COME LIE WITH ME AND BE MY LOVE


Venha deitar comigo e ser meu amor
Amor minta comigo
Jaza aqui comigo
Ao pé do cipreste
No doce gramado
Onde o vento fenece
Onde o vento perece
Enquanto a noite marca passo
Venha deitar comigo
A noite toda comigo
E me beije até se fartar
E se farte de fazer amor
E deixe nossos eus falarem em par
Por toda a noite ao pé do cipreste
Sem fazer amor
**
Lawrence Ferlinghetti
(Starting from San Francisco, 1961)
Versão brasileira: Cardoso & Santana Translation Productions





 

Soldados de Cristo

null

Manhã de quarta-feira! Agora levantando cedo posso curtir o sol morno da manhã!
Levantar cedo tem suas vantagens, por enquanto encontrei poucas, mais continuo procurando!
Hoje a trilha sonora no meu MP4, para agüentar o ônibus lotado, foi Los Hermanos.
E lá fui eu para mais um dia!
De cara, fiquei espremida entre a porta do meio e a multidão que foi entrando.
Um passinho para trás, pede o cobrador, mais isso é sem chance, como diria o presidiário vivido por Gero Camilo no filme Carandiru.
Nessas ocasiões eu passo o tempo observando e criando estórias para cada passageiro que acho mais interessante. Só que hoje foi impossível criar estórias somente pela fisionomia dos personagens.
É que hoje percebi que havia vários adolescentes, jovens senhoras e homens com rosários nas mãos dedilhando as contas e rezando através de murmúrios. Reparei que uma jovem mulher usava uma camiseta com estampa camuflada, marca oráculo, com dizeres ”Soldado de Cristo”.
Meus pensamentos se perderam para encontrar uma conexão entre o personagem que pregava a paz e os dizeres/estampa da dita camiseta, quando quase cai em uma parada mais brusca do ônibus no ponto. Aí entrou uma senhora idosa pela porta do meio, me espremi um pouco mais para deixá-la segurar no ferro baixo equilibrando-se para não cair.
Fiquei esperando um dos Saldados de Cristo levantar para ceder o lugar para a irmã idosa. Nada! E a senhora continuou o percurso equilibrando-se como pode nas curvas mais fechadas!
Já nem ouvia “Lágrimas sofridas”, meu ser inteiro pulsava indignado vendo tais soldados ignorarem a senhora enquanto dedos ágeis procuravam mais uma conta para um Creio.
Já eu, creio que eles estavam pedindo a Deus para que morram antes que fiquem velhos. Ou quem sabe, pediam a graça de conseguir comprar um carro e não terem que se submeter ao sofrimento de um ônibus lotado logo às sete da manhã, ouvindo a ladainha murmurada pelos Soldados de Cristo.


 

desejos

null
Geladeira natural na serra do cadeado



o mar agitado se acalma aos poucos...
as ondas gigantes vão diminuindo como um soluço no fim do choro convulsivo...
a dor suaviza
O tempo passa... e com ele a dor, o mau humor...
a solidão ainda é oportuna...
acalenta... abranda...
o sono vem tranqüilo
serena o espírito
mais um dia...
enfim...
sorriso de borboletas surgem...
ressugem...



Vontade de ir para a Serra do Cadeado! Cansar o corpo no rítmo das rochas, sentir o vento refrescar a pele grudada na rocha na superação de mais uma escalada, testar o cérebro com a adrenalina máxima do rapel e no fim do dia tomar um vinho com os Amigos contemplando as estrelas!




 

TIBET LIVRE!!!

null

Aderindo ao apelo para que o Tibet volte a ser um Estado livre!



Olá, acabei de assinar uma petição urgente pedindo para o governo chinês ter cautela e respeito pelos direitos humanos no Tibet, e para eles abrirem o diálogo com o Dalai Lama. Basta clicar no link para assinar a petição: http://www.avaaz.org/po/tibet_end_the_violence/98.php/?cl_tf_sign=1

Depois de quase 50 anos de domínio chinês, os tibetanos estão demandando mudanças. Enquanto a violência se espalha no Tibet e na região, o governo chinês decide entre, aumentar a repressão ou se abrir para o diálogo. O Presidente Hu Jintao precisa ouvir que as Olimpíadas e os produtos "Made in China" terão o apoio do mundo, se ele escolher o diálogo.

Precisamos de uma avalanche de apelos do mundo todo para chamar a atenção do governo chinês. Clique abaixo para assinar a petição. Em menos de uma semana conseguimos metade da nossa meta de 1 MILHÃO de assinaturas!

http://www.avaaz.org/po/tibet_end_the_violence/98.php/?cl_tf_sign=1

Obrigado pela ajuda!


 

O CAFÉ IPANEMA FECHOU!

null

Meus amigos sempre reclamam por eu andar rápido!
Vai ver é para compensar – inconscientemente - os passos curtos devido a minha estatura. Vai saber!
O fato, é que mesmo com toda minha presa não consigo passar em frente ao Café Ipanema sem dar uma paradinha básica para um cafezinho de coador. Porque vocês sabem, o melhor café é aquele feito em coador de pano.
Agora minhas paradas no coração do calçadão não serão mais possíveis, pelo menos não para tomar o cafezinho no Café Ipanema, pois o mesmo fechou!
Mais um reduto que fazia parte do patrimônio histórico da cidade cerrou suas portas. Foram quatro décadas de portas abertas para os viciados em café e bom papo como eu. Lá a gente ficava sabendo das fofocas da cidade. Além de cruzar com personalidades da política, artes...
O Café Ipanema fecha para dar lugar a uma loja de uma empresa de telefonia.
E a cidade mais uma vez perde suas referências! Edifícios, arquivos, pessoas... a memória da cidade vai se perdendo no corredor do tempo sem que as pessoas se dêem conta, até bater aquela vontade de tomar um cafezinho no coração do calçadão!



 

Silêncio



próximos dias de silêncio
permitido.
expectativa
resumida
no sorriso que surge
inesperadamente!!!!




BEM NO FUNDO
(PAULO LEMINSKI)

no fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela - silêncio perpétuo

extinto por lei todo remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos pra passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas


 

Outros Outubros



reflexões de outubros passados

sábado surpreendente!!
econtro... reencontro...
papo cabeça... neurônios trabalhando a mil
mesmo sob o efeito da Smirnoff "radioativa"
beijo com sabor de outros tempos
Valentino a rodar...
Orishas dando o toque surreal



madrugada de domingo esclarecedora

quebrar o silêncio
colocar as cartas na mesa
abrir o jogo
e se desnudar sem timidez
falar o que
pensa
sente
do outro lado a surpresa
a desconfiança
a irritação
de ser questionado
de ouvir o
que não queria
que não devia
que não sentia
o alívio chega
como um gozo
fazendo o sono vir sereno
tranquilo
missão cumprida
jogo ganho.
vitória?
breve...
o próximo round já está perdido...
derrota com gosto de vitória ou
mais um período de convalescência?
só vivendo para saber!

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
uma semana pensativa!
fazer escolhas é tão difícil!


 
Google

Arquivos